Biogás

O biogás é um produto que vem ganhando muito destaque nas pautas nacionais e internacionais.


Com a industrialização, o consumo está cada vez mais acelerado. Em pesquisa realizada pelo Instituto Akatu em 2018, 76% dos 1.090 entrevistados não praticam o consumo consciente.

Frente a essa realidade, as fontes de energia são elementos essenciais e o debate acerca das fontes não renováveis e poluentes está em alta. Com isso, existem algumas fontes em evidência, como o biogás.

O que é o biogás?

O biogás é a denominação dos gases formados na decomposição por bactérias de materiais orgânicos na ausência de oxigênio.

Biogás e os aterros sanitários

Aterros sanitários produzem grandes quantidades de gases causadores do efeito estufa. Isso ocorre pela decomposição do material orgânico, que ocorre por dois processos.

O primeiro processo é de decomposição aeróbia e ocorre normalmente no período de deposição do resíduo. Após este período, ocorre a redução do oxigênio presente nos resíduos, o que dá origem ao processo de decomposição anaeróbia.

Com esses processos, gases são produzidos, entre eles o metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), amônia (NH3), hidrogênio (H2), gás sulfídrico (H2S), nitrogênio (N2) e oxigênio (O2). O metano e o dióxido de carbono são os principais gases provenientes da decomposição anaeróbia dos compostos biodegradáveis dos resíduos orgânicos.

A geração de biogás inicia-se após a disposição dos resíduos sólidos, encontrando-se registros de metano ainda nos primeiros três meses após a disposição. Além disso, é possível encontrar o gás por um período de 20, 30 ou até mais anos depois do encerramento do aterro.

Composição do biogás

A composição do biogás é alterada de acordo com os resíduos depositados, assim como o tempo de decomposição. Porém, o biogás normalmente é uma mistura de gases.

  • Metano (CH4): 50% – 70% do volume de gás produzido;
  • Dióxido de carbono (gás carbônico, CO2): 25% – 50% do volume de gás produzido;
  • Outros gases como: hidrogênio (H2): 0% – 1% do volume; gás sulfídrico (H2S): 0% – 3% do volume; oxigênio (O2): 0% – 2% do volume; amoníaco (NH3): 0% – 1% do volume; nitrogênio (N2): 0% – 7% do volume.

Utilização do biogás

O biogás possui várias formas de utilização em diversos setores da sociedade. Dessa forma, ele pode ser usado como Gás Natural Veicular (GNV), Gás Natural Comprimido (GNC) ou Gás Natural Liquefeito (GNL).

Para isso, é necessário retirar do biogás a umidade, sulfeto de hidrogênio e dióxido de carbono, no processo conhecido como purificação. Após isso, o biogás passa a ter o nome de biometano, ao ter pelo menos 95% de metano na composição. Além disso, a quantidade de metano também classifica a qualidade do biometano.

Também, o gás carbônico presente no biogás pode ser utilizado na indústria de refrigerantes ou regulando o pH das águas de aquários. Somado a isso, pode ser usado em extintores de incêndio ou como anestésico em animais que vão para o abate.

Assim, o biogás também pode passar por um processo de reforma em que é extraído o hidrogênio, considerado como o combustível do futuro.

Vantagens e desvantagens do biogás

O biogás é uma alternativa interessante para vários fins, porém, também possui desvantagens. Entre as vantagens estão:

  • Geração de energia elétrica, térmica ou mecânica;
  • Considerada fonte limpa de energia em comparação às outras;
  • Subprodutos da geração por biodigestores como fertilizantes;
  • Pode ser produzido artificialmente.

Já as desvantagens são:

  • Inconstância na geração;
  • Futuro inclinado a diminuir os aterros sanitários;
  • Alto período de recuperação do investimento;
  • Produção de gases do efeito estufa.

Biogás no Brasil

Granja do Torto
A Granja do Torto recebeu um biodigestor ainda na década de 70.

Inicialmente, o Brasil não utilizava o biogás, até que o produto começou a ser estudado e usado em outras áreas do mundo. Assim, apenas no século 21, o biogás começou a ser implantado no Brasil, com a crise do petróleo em 1979.

A Granja do Torto, moradia de alguns presidentes localizada em Brasília, recebeu um dos primeiros biodigestores do país, e os materiais acessíveis para a construção desses sistemas incentivou o governo a desenvolver o Programa de Mobilização Energética (PME) em 1982.

Assim, o presidente João Figueiredo assinou o Decreto nº 87.079, em 2 de Abril de 1982, do PME. O documento descreve ações dirigidas à conservação de energia e à substituição dos derivados de petróleo.

Na lei, é citado o biogás e a biomassa como alternativa para a diminuição do consumo dos insumos energéticos, tendo como intenção a substituição progressiva dos derivados de petróleo por combustíveis alternativos nacionais.

Com isso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Paraná (Emater/PR) estima que até 1984 havia cerca de 3 mil biodigestores instalados no Brasil. Apesar da presença, a falta de mão de obra qualificada fez com que os sistemas fossem abandonados.

Biogás no Brasil do século XXI

Sendo assim, entre a década de 90 e 2000, o biogás voltou a ser pauta nacional como alternativa na redução da emissão de gases do efeito estufa por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) e os Créditos de Carbono.

Por essa razão, o governo federal, com empresas de iniciativa privada da América Latina começaram a investir no biogás. Portanto, entre 2005 e 2013, cerca de mil biodigestores foram instalados no Brasil com os incentivos do mercado de Crédito de Carbono.

Também, em 2008, foi assinado memorando de entendimento entre a Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (UNIDO), Itaipu Binacional e Eletrobrás para fomentar as energias renováveis. No evento, a Região Oeste do Paraná, Bacia do Paraná III, foi nomeada como uma área internacional para promoção e desenvolvimento das energias renováveis.

Desde então, o Brasil avançou rapidamente na expansão da geração do biogás, com a criação de laboratórios, programas, projetos e leis que possibilitam sua utilização.

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