Poesia infantil – 18 Poemas infantis famosos para encantar as crianças

A expansão da poesia infantil no Brasil se deu na década de 60. Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Paulo Leminski e Ruth Rocha são os principais autores de poesia infantil. Confira!

A produção literária voltada ao público infantil surgiu quando as crianças deixaram de ser vistas como adultos. Desde então uma nova ramificação na literatura começou a ganhar contornos e visibilidade.

No Brasil, este nicho se expandiu por meio de publicações ao final do século XIX. Então, a prosa e poesia infantil começaram a ter espaço na estilística de renomados escritores.

Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e outros contribuíram para a produção literária infantil no Brasil.

Poesia infantil

Relevância

A infância é um período de desenvolvimento físico, ético, intelectual e emocional dos indivíduos. Esta época propicia uma maior internalização de valores, condutas e hábitos.

Ponderando sobre este fato, nesta fase seria imprescindível que os pais estimulassem o hábito da leitura, principalmente, da leitura de poesia.

A poesia infantil é relevante porque estimula a criança na assimilação dos conteúdos escolares e ajuda no repertório linguístico, acelerando o processo de alfabetização, oralização e dicção.

Além disso, a poesia infantil é um excelente exercício para a memória, assim como estimula a criatividade.

Todos esses benefícios da poesia podem contribuir para a formação de adultos críticos e conscientes.

Principais autores e poemas infantis mais famosos

Cecília Meireles

A expansão da poesia infantil no Brasil se deu na década de 60 através das poesias infantis de Cecília Meireles.

A autora foi a primeira grande escritora da literatura brasileira e a primeira mulher da poesia moderna. Além disso foi jornalista, pintora e professora.

A dedicação de Cecília Meireles à poesia infantil foi motivada por sua formação.

Ela formou-se em magistério e sempre esteve preocupada com a educação infantil.

Em suas produções, Cecília Meireles insere espiritualismo, musicalidade, reflete sobre a transitoriedade da vida, o tempo, o amor, a finitude, a infinitude e a criação artística.

Por isso, podemos afirmar que Cecília Meireles era uma escritora intuitiva, visto que procurava questionar e compreender o mundo partindo de suas próprias experiências.

Todas estas características da grande poetisa são expressas em seus poemas infantis. Confira exemplos onde ela utiliza uma linguagem simples, objetiva e musical para estimular o gosto pelas palavras e reflete, ainda, sobre a finitude do cotidiano:

Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

A avó do menino, Cecília Meireles

A avó
vive só.
Na casa da avó
o galo liró
faz “cocorocó!”
A avó bate pão-de-ló
e anda um vento-t-o-tó
na cortina de filó.

A avó
vive só.
Mas se o neto meninó
mas se o neto Ricardó
mas se o neto travessó
vai à casa da avó,
os dois jogam dominó.

Na chácara do Chico Bolacha, Cecília Meireles

Na chácara do Chico Bolacha
o que se procura
nunca se acha!

Quando chove muito,
O Chico brinca de barco,
porque a chácara vira charco.

Quando não chove nada,
Chico trabalha com a enxada
e logo se machuca
e fica de mão inchada.

Por isso, com o Chico Bolacha,
o que se procura
nunca se acha.

Dizem que a chácara do Chico
só tem mesmo chuchu
e um cachorrinho coxo
que se chama Caxambu.

Outras coisas, ninguém procura,
porque não acha.

Coitado do Chico Bolacha!

Vinicius de Moraes

Outro nome que contribuiu para a produção poética infantil foi Vinicius de Moraes. Ele foi poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro.

Sua produção poética é divida em duas fases. Na primeira, ele expressa transcendentalidade e misticismo. Na segunda, tenta frisar elementos que o distancie da primeira fase.

No que se refere às suas poesias infantis, é recorrente ele destacar noção de temporalidade, em linguagem simples e caráter lúdico.

Há algumas poesias infantis em que a melancolia é evidenciada e o uso de elementos empíricos é muito frequente.

Nos famosos poemas infantis abaixo, é perceptível que Vinicius de Moraes leva o leitor a imaginar os animais da floresta:

O leão, Vinicius de Moraes

Leão! Leão! Leão!
Rugindo como o trovão
Deu um pulo, e era uma vez
Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação

Tua goela é uma fornalha
Teu salto, uma labareda
Tua garra, uma navalha
Cortando a presa na queda.

Leão longe, leão perto
Nas areias do deserto.
Leão alto, sobranceiro
Junto do despenhadeiro.
Leão na caça diurna
Saindo a correr da furna.
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus que te fez ou não?

O salto do tigre é rápido
Como o raio; mas não há
Tigre no mundo que escape
Do salto que o Leão dá.
Não conheço quem defronte
O feroz rinoceronte.
Pois bem, se ele vê o Leão
Foge como um furacão.

Leão se esgueirando, à espera
Da passagem de outra fera…
Vem o tigre; como um dardo
Cai-lhe em cima o leopardo
E enquanto brigam, tranquilo
O leão fica olhando aquilo.
Quando se cansam, o leão
Mata um com cada mão.

Leão! Leão! Leão!
És o rei da criação!

O Gato, Vinicius de Moraes

Com um lindo salto
Lesto e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pega corre
Bem de mansinho
Atrás de um pobre
De um passarinho
Súbito, para
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando tudo
Se lhe fatiga
Toma o seu banho
Passando a língua
Pela barriga.

O Elefantinho, Vinicius de Moraes

Onde vais, elefantinho
Correndo pelo caminho
Assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho
Espetaste o pé no espinho
Que sentes, pobre coitado?
— Estou com um medo danado
Encontrei um passarinho

Paulo Leminksi

Paulo Leminski também contribuiu para a disseminação da poesia infantil no Brasil.

Ele foi crítico literário, tradutor, professor brasileiro e poeta. Em suas produções procurava se distanciar dos cânones literários.

Leminski brincava com a forma utilizando uma poesia visual.

Seus poemas incorporam elementos do humor, cartum, publicidade e música. Em suas poesias infantis podemos observar muitas dessas características. Confira alguns dos famosos poemas infantis do autor:

Parada cardíaca, Paulo Leminski

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Dor elegante, Paulo Leminski

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra.

O que quer dizer, Paulo Leminski

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

Ruth Rocha

Ruth Rocha, escritora e tradutora, é outro grande nome que ainda contribui para a produção poética infantil brasileira.

Ruth Rocha tem mais de 130 obras publicadas e foi um marco na literatura contemporânea.

Podemos observar que os poemas famosos abaixo têm uma linguagem simples e objetiva, e o eu lírico permite que o leitor participe da estória narrada:

As coisas que a gente fala, Ruth Rocha

As coisas que a gente fala
saem da boca da gente
e vão voando, voando,
correndo sempre pra frente.
Entrando pelos ouvidos
de quem estiver presente.
Quando a pessoa presente
É pessoa distraída
Não presta muita atenção.
Então as palavras entram
E saem pelo outro lado
Sem fazer complicação.

Mas, às vezes, as palavras
Vão entrando nas cabeças,
Vão dando voltas e voltas,
Fazendo reviravoltas
E vão dando piruetas.
Quando saem pela boca
Saem todas enfeitadas.
Engraçadas, diferentes,
Com palavras penduradas.

Mas depende das pessoas
Que repetem as palavras.
Algumas enfeitam pouco.
Algumas enfeitam muito.
Algumas enfeitam tanto,
Que as palavras – que
Engraçado!
– nem parece as palavras
que entraram pelo outro
lado.

[…]

Baile no sereno, Ruth Rocha

Cantador canta tristeza,
canta alegria também.
É de sua natureza
cantar o mal e o bem.
Pois ele tem dentro dele
o canto que o canto tem…

Por isso, se o mar secar,
se cobra comprar sapato,
se cachorro virar gato,
se o mudo puder falar,
Se a chuva chover pra cima,
se barata for grã-fina,
Quando o embaixador for em cima,
Cantador vai se calar.

Valsa das pulgas, Ruth Rocha

As pulgas dançando no meio da rua
Dão pulos e pulos sob a luz da Lua

No baile das pulgas o passo é assim:
Três passos para o lado e entra o cupim.

Cupim dá três passos pra lá e pra cá
E a pulga contente toma guaraná.

Quem toca a valsinha é o sabiá
E as pulgas pulando pra lá e pra cá.

O tatu-bolinha já chega rolando:
“É o passo moderno, estou inventando!”

Com passos miúdos chega a joaninha
De vestido curto cheio de bolinhas.

Um pra lá, um pra cá
São as pulgas dançando, à luz do luar.

Lá no longe
A luz da Lua alumia…

José Paulo Paes

José Paulo Paes foi poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta brasileiro. Outro grande escritor de poesia infantil.

Ele aprendeu a brincar com as palavras, o que permitiu que ele escrevesse poesias infantis magníficas.

Em suas produções há articulação criativa do eixo morfológico, sintático e semântico.

Geralmente, José Paulo Paes utiliza, na mesma frequência, a linguagem padrão e coloquial.

Convite, João Paulo Paes

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam

Como a água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

Mistérios do passado, João Paulo Paes

Quando Cabral o descobriu,
será que o Brasil sentiu frio?

Diz a História que os índios comeram o bispo Sardinha.
Mas como foi que eles conseguiram abrir a latinha?

Qual o mais velho, diga num segundo:
Pedro I ou D. Pedro II?

De que cor era mesmo (eu nunca decoro)
o cavalo branco do Marechal Deodoro?

Ficção científica, João Paulo Paes

Depois de uma viagem
pelo espaço sideral,
o astronauta chegou ao seu destino final:

Um planeta diferente
cujo em-cima estava em-baixo
e o atrás ficava na frente.

Um planeta tão estranho
que a sujeira era limpa
e a água tomava banho.

Um planeta mesmo louco
onde o muito era nada
e o tudo muito pouco.

Um planeta dos mais raros:
o seu ouro era de graça,
o lixo custava caro.

O astronauta não gostou
e foi-se embora. Quando
pensou estar muito longe,
Viu-se outra vez chegando

num planeta onde, aliás,
o em-baixo ficava em-cima
e a frente estava por trás.

Ferreira Gullar

Ferreira Gullar foi crítico de arte, biógrafo, tradutor e poeta neoconcretista. Suas poesias sociais retratam o cotidiano.

Em geral, as crianças adoram e assimilam bem os poemas do autor. Com isso, podemos afirmar que ele também contribuiu para a poesia infantil brasileira.

Observe a estética empírica dos famosos poemas abaixo:

Na cara, Ferreira Gullar

Gatinho, pra me acordar,
Não fica miando a esmo:
Mia bem na minha cara
Para ver se eu acordo mesmo.

O urubu, Ferreira Gullar

– Doutor Urubu,
a coisa está preta!
A falta de chuva
matou a colheita
– queixou-se a Raposa. –
A fome é geral.
Até já me sinto mal!
E o Urubu, muito prosa,
mal disfarçando a cobiça:
– Tudo no mundo depende
do nosso ponto de vista…
Não acha, amiga ardilosa?
Para quem come carniça,
a coisa agora está branca,
ou melhor, está cor-de-rosa!

O sapo, Ferreira Gullar

Aqui estou eu: o Sapo,
Bom de pulo e bom de papo.
Falo mais que João do Pulo,
Pulo mais que João do Papo.
Por cautela, falo pouco,
Pra evitar de ficar rouco.
Mas, na verdade, coaxo.
Sou quem toca o contra-baixo
em nossa orquestra de sapos,
pois com os sons de nossos papos
fazemos nosso concerto:
um som fechado, outro aberto,
um que parece trombone,
outro flauta ou xilofone.
Tocamos em qualquer festa.

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