Revolução de 1930

Revolução de 1930 é o nome que se dá ao movimento político que destituiu Washington Luís do poder e ascendeu Getúlio Vargas à presidência do país.

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A Revolução de 1930 é o nome que se dá ao movimento político responsável pela destituição do então presidente do Brasil, Washington Luís (1926–1930).

Essa revolução culminou em um golpe de estado que além de destituir o presidente, colocou fim à República Velha (período em que as oligarquias regionais se revezavam no poder do país).

A principal personalidade da Revolução de 1930 foi Getúlio Vargas, que representava a insatisfação de outros políticos em relação à concentração do poder nas mãos dos mesmos setores — que priorizavam seus interesses em detrimento das demandas do restante da população.

Getúlio Vargas ocupava o cargo de presidente do estado (como eram chamados os governadores na época) do Rio Grande do Sul. Além do Rio Grande do Sul, estados como a Paraíba e Minas Gerais contribuíram para a articulação do movimento.

Esse período foi encarado como um “divisor de águas” entre a República Velha e a Era Vargas.

Contexto histórico

De 1898 a 1930 a elite latifundiária paulista e mineira revezavam na presidência da República elegendo candidatos que representavam e defendiam seus interesses individuais para ocupar o cargo mais alto da nação.

Nesse período, a partir de eleições fraudulentas, a política brasileira era comandada pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais que sustentavam um regime econômico agroexportador.

Esse momento político ficou conhecido como Política do Café com Leite. Tal sistema funcionou até outros estados do país perceberem o jogo político comandado por SP e MG e começarem a reivindicar participação política no cenário federal.

A crise de 1929 foi outro fator que contribuiu para a derrocada da política do café com leite, pois ela atingiu a economia do país, gerando desemprego e revolta na população.

A base da economia brasileira eram as exportações de café que começaram a cair velozmente após a queda da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929.

Com isso, a crise econômica provocada pela queda das ações contribuiu para acirrar o descontentamento popular com o governo.

Do mesmo modo, os oficiais de baixa patente do exército brasileiro também estavam insatisfeitos com o cenário político imposto pelas oligarquias de Minas Gerais e São Paulo. Os oficiais ansiavam instaurar uma nova ordem política no país.

É importante salientar que os tenentes já estavam demonstrando sua insatisfação com o cenário político por meio da Revolta do Forte de Copacabana, da Revolta Paulista de 1924 ou pela Comuna de Manaus, ocorrida também em 1924.

Eleições presidenciais de 1930

As eleições presidenciais de 1930 foram marcadas por uma tensão na relação entre as elites mineiras e paulistas.

Em 1929, Washington Luís indicou o presidente de São Paulo, Júlio Prestes como seu sucessor no cargo de presidente do Brasil.

Tal inciativa recebeu o apoio de 17 presidentes de outras províncias. A atitude tomada por Washington Luís contrariava o sistema político comandado pelas oligarquias. Ao indicar Júlio Prestes, ele acabava com a alternância do poder entre MG e SP.

Os mineiros, insatisfeitos com a indicação de Prestes, se unem aos estados da Paraíba e do Rio Grande do Sul contra a indicação.

Criam, então, a Aliança Liberal. O objetivo dessa frente era lançar candidatos à presidência e vice-presidência capazes de acabar com a Política do Café com Leite.

O candidato escolhido para disputar a presidência do país, em 1930, pela Aliança Liberal foi Getúlio Vargas e para vice-presidência, João Pessoa (presidente da Paraíba).

Júlio Prestes vence as eleições realizadas em março de 1930. Descontentes com o resultado, a Aliança Liberal alegou fraude no processo eleitoral e não reconheceu a vitória do candidato.

Assassinato de João Pessoa

Em julho de 1930, João Pessoa é assassinado por João Dantas em Recife. Deduz-se que o crime ocorreu por motivos pessoais e políticos. A morte do candidato virou uma questão nacional, gerando indignação na população.

Washington Luís não pretendia renunciar ao cargo de presidente do país. Entretanto, em outubro de 1930, militares liderados por Getúlio Vargas (Sul) e Juarez Távora (Nordeste) se encaminham para a capital do país, a cidade do Rio de Janeiro.

Os militares Mena Barreto, Tasso Fragoso e Isaías de Noronha formam uma junta provisória militar que depõem Washington Luís do cargo e o prendem. Pouco tempo depois ele se exila.

Diante disso, Vargas se tornou o chefe do governo provisório, revoga a Constituição de 1891 e passa a governar por decretos.

Governo provisório de Getúlio Vargas

O governo provisório de Getúlio Vargas foi caracterizado, inicialmente, pela crença de que Vargas convocaria rapidamente novas eleições por meio da construção de uma nova Constituição Brasileira, já que a anterior foi revogada pelo mesmo.

Entretanto, o assunto sobre formar uma Assembleia Constituinte para a formulação da Constituição sempre era adiado. Vargas temia que as oligarquias ocupassem novamente o poder.

O governo provisório foi marcado por medidas centralizadoras, como:

  • Dissolução do Congresso Nacional;
  • Dissolução das Assembleias Legislativas (estaduais e municipais);
  • Os governadores dos estados passam a ser interventores nomeados por Vargas.

Iniciou-se severas críticas a Vargas e seu governo provisório. O estado de São Paulo declara guerra contra o governo de Getúlio Vargas, devido à recusa de novas eleições e ao aumento da repressão policial. O episódio é conhecido como Revolução de 1932.

Revolução ou golpe?

É importante salientar que a Revolução de 1930 recebeu esse nome pelos seus membros. Entretanto, ela foi caracterizada como um golpe de estado.

Veja algumas características da Revolução de 1930:

  • Amplo apoio popular;
  • Propõe mudanças significativas na sociedade;
  • Realiza profundas transformações na sociedade.

O golpe de estado se define pela retirada do poder por meio da violência.

O ano de 1930 foi marcado por uma luta pelo poder entre as elites, no entanto, não provocou grandes transformações na estrutura social do Brasil.

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