Dionísio, Deus do vinho, loucura e fertilidade

O último deus do Olimpo mostra como os gregos antigos encaravam a loucura, o álcool e a sexualidade diferentemente de nós.

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Na Grécia Antiga, beber era uma atividade central. Os cidadãos aristocráticos se reuniam periodicamente para festas chamadas simpósios, que se iniciavam com banquetes sóbrios, mas que logo davam lugar à declamação de poesias líricas (chamadas assim por serem acompanhadas pela lira), diálogos e apresentações musicais regadas ao vinho.

Grandes obras pelas quais conhecemos a Grécia hoje nasceram nessas reuniões etílicas e diversas elegias falam sobre elas. Entretanto, a bebida era consumida de forma muito diferente de hoje. Os gregos se intoxicavam de forma cerimonial. Para eles, beber era parte de um ritual em homenagem ao deus Dionísio.

Dionísio não era apenas o deus do vinho, mas também fertilidade, da loucura, do êxtase religioso e do teatro. Ele representava o caótico e o inesperado. Foi em parte graças ao culto desta divindade que o teatro grego se desenvolveu e que ainda utilizamos a palavra “simpósio” para denominar conferências acadêmicas.

Quem foi Dionísio?

Na mitologia grega, Dionísio foi o último dos doze deuses aceitos no Olimpo. Filho de Zeus e Sêmele, ele é o único olimpiano nascido de uma mãe mortal. Como acontece com outros deuses, as fontes divergem sobre sua origem.

A versão predominante conta que Hera, a esposa de Zeus, fica sabendo sobre o caso do marido com a princesa tebana Sêmele e, disfarçada, torna-se sua amiga.

Ao ouvi-la confirmar a traição, Hera finge não acreditar. Ela planta a semente de dúvida na mente de Sêmele e a instiga a exigir que Zeus se revele em toda a sua glória como prova de sua divindade.

Zeus atende seu pedido. Entretanto, mortais não podiam contemplar um deus em sua verdadeira forma sem morrer. Ao vê-lo, Sêmele é fulminada em chamas e Zeus resgata Dionísio do ventre de mãe. Zeus termina de criá-lo e passa o filho aos cuidados de Hermes logo que possível.

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Ainda em sua infância, Dionísio teria sido o primeiro a descobrir o cultivo da uva e o método de fermentação do vinho. Mas Hera, ainda ciumenta, logo que descobriu seu paradeiro, teria usado seus poderes para enlouquecê-lo e mandá-lo em peregrinação através do mundo.

Mitos

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Talvez o mito relacionado a Dionísio mais conhecido seja o do rei Midas. Conta a história que Dionísio descobriu que seu antigo mestre e pai adotivo, Sileno, tinha desaparecido.

O velho se embebedou e se perdeu, sendo encontrado por alguns camponeses, que o levaram ao rei Midas. O monarca acolheu Sileno, tratou-o com hospitalidade e o levou de volta a Dionísio. Grato pela bondade, Dionísio ofereceu a Midas qualquer recompensa que quisesse.

Midas pediu que tudo que tocasse fosse transformado em ouro. Dionísio consentiu, embora lamentasse não ter feito uma escolha melhor. Midas tocou e tornou ouro um galho de carvalho e uma pedra.

Cheio de alegria, logo que chegou em casa, ordenou aos criados que pusessem um banquete à mesa. Então ele descobriu que não podia comer porque seu pão, carne e vinho se transformavam em ouro. Mais tarde, quando sua filha o abraçou, ela também virou ouro.

Midas orou a Dionísio, implorando para ser liberto de seu desejo. Dionísio ouviu e consentiu; ele disse a Midas que se lavasse no rio Pactolus e estaria livre. Ele fez isso, e quando ele tocou as águas, o poder passou para elas, e as areias do rio se transformaram em ouro. Esse é um mito que explica a razão das areias do rio Pactolus serem ricas em ouro.

Curiosidades sobre Dionísio

  • Na mitologia romana Dionísio corresponde ao deus Baco;
  • Nos mitos gregos, Dionísio já se relacionou com mais de 14 mulheres com quem teve incontáveis filhos;
  • O touro, a serpente, o tigre, as vinhas e o vinho fazem parte da iconografia de Dionísio. Ele é associado aos sátiros e aos centauros;
  • Além dos simpósios, os seguidores de Dionísio adoravam-no em templos e datas festivas especiais. Seu culto de seguidores era chamado de Tíaso e suas sacerdotisas (mitológicas) eram as Mênades, mulheres enlouquecidas e lascivas.

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