Jurupari – O mito da região amazônica

Esse mito é conhecido por vários povos indígenas e possui duas versões principais. Confira o mito da região amazônica, Jurupari!


Jurupari é um mito comum entre vários povos indígenas da região amazônica. As histórias variam entre legislador e demônio.

A palavra é originária do Tupi antigo e possui mais de um significado. Jurupari pode ser boca/tirar da boca ou aquele que vem a nossa rede, alusão à versão assombrosa do mito.

Jurupari – O legislador

O mito conta que Ceuci, deusa das moradias e da lavoura, concebeu Jurupari ao comer a fruta cucura-purumã, também conhecida como mapati. Essa fruta era proibida para mulheres em período fértil, logo, Ceuci foi expulsa pela ação. Além disso, segundo a mitologia Tupi, a planta é conhecida como a árvore do bem e do mal.

Após o nascimento, o Jurupari envelheceu rapidamente e se mostrou muito sábio, estabelecendo regras e leis entre os povos — algumas seguidas até a atualidade.

Há ainda histórias que contam que ele seria filho do deus representante do Sol, Guaraci, e que Jurupari mata as mulheres que tomam conhecimento de segredos e lugares proibidos. Inclusive, teria matado a própria mãe por não a reconhecer.

Jurupari – O demônio

Uma versão foi contada por jesuítas durante a catequização. Dessa forma, usaram a palavra para designar o que seria um demônio e até a personificação do Mal, além de julgar demoníaco de forma geral as práticas religiosas indígenas.

Essa denominação cristã do Jurupari como um demônio possui um antagonista: Inapíri-Kúri, ou Jesus Cristo, que representa o Bem.

Em outra versão, presente nas tribos Tuiucas, Macus e Wauja, Jurupari é o demônio que provoca pesadelos e imobiliza durante o sono.

O significado de Jurupari nesse contexto pode ser de tapar a boca, uma vez que, durante essas visitas nos sonhos, o deus pode asfixiar o adormecido. A referência da rede no significado aquele que vem a nossa rede é a da rede utilizada para dormir.

Aparência do Jurupari

Conta-se que o deus seria um homem de boca torta que está sempre rindo ou uma grande cobra com braços. Em outras regiões, pode ser um homem sábio, um bebê invisível ou somente uma presença divina.

Há histórias de que o herói morre queimado e, de suas cinzas, nasce uma árvore de paxiúba, uma palmeira amazônica que produz um som grave.

Ritual do Jurupari

O ritual do Jurupari pode ocorrer no final do mês de março, que marca a proximidade da chegada do verão. Algumas comunidades, como a Dessana, usam o ritual em iniciação masculina.

Os homens tocam um instrumento de sopro feito do tronco de paxiúba. A cerimônia também é em agradecimento à natureza pela fartura de pesca.

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