Domínios morfoclimáticos do Brasil

A classificação do território brasileiro em diferentes domínios morfoclimáticos foi elaborada pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber (1924-2012).

0

O Brasil é um país de dimensões continentais, com cerca de 8,5 milhões de km² de área e uma grande variação latitudinal (norte-sul), o que lhe confere uma rica diversidade climática e, por extensão, biológica.

Não por acaso, o território brasileiro é reconhecidamente um dos locais com as mais amplas biodiversidades do planeta. Assim, para melhor compreendermos e estudarmos a dinâmica dessas paisagens, utiliza-se o conceito de domínios morfoclimáticos.

A classificação do território brasileiro em diferentes domínios morfoclimáticos foi elaborada pelo geógrafo Aziz Ab’Sáber (1924-2012), que quantifica o espaço nacional em seis grandes ambientes naturais, a saber: o amazônico, o do cerrado, o dos mares de morro, o da caatinga, o das araucárias e o das pradarias. Além dessas composições, existem também as áreas de transição, marcadas pela pluralidade morfológica a partir da intersecção entre dois ou mais domínios.

Mapa dos domínios morfoclimáticos
Mapa dos domínios morfoclimáticos

DOMÍNIO AMAZÔNICO – TERRAS BAIXAS FLORESTADAS EQUATORIAIS

É o maior dentre os domínios morfoclimáticos brasileiros, com uma área estimada em aproximadamente 5 milhões de km². Abrange toda a região norte do país, além do norte do Mato Grosso e oeste do Maranhão, destacando-se pelo grande volume de suas florestas, pela sua complexa rede hidrográfica e pela grande variabilidade de seus ecossistemas. Todavia, é o domínio sobre o qual mais se expandem as atividades humanas nos últimos anos, o que lhe representa uma grave ameaça.

Embora possua uma ampla área, o domínio amazônico não se estende muito no sentido latitudinal, estando quase todo posicionado em uma região próxima à Linha do Equador. Com isso, a insolação é forte o ano todo e as massas de ar atuantes são quentes e úmidas. Dessa forma, a presença de umidade – algo que se relaciona, também, à evapotranspiração da floresta amazônica – faz com que a variação de temperaturas (amplitude térmica) seja muito baixa, com médias térmicas anuais de aproximadamente 25ºC. Já os solos, em geral, apresentam uma baixa fertilidade, o que dificulta a ocupação da floresta para a agricultura, sendo a pecuária extensiva a atividade econômica mais comum no espaço desse domínio.

A floresta equatorial amazônica é comumente classificada conforme a proximidade da vegetação dos cursos águas. É, assim, dividida em: mata de igapó, próximas a rios e adaptadas e solos alagados; mata de várzea, que recebe esse nome por desenvolver-se na várzea dos rios, onde acontecem eventuais cheias; mata de terra firme, posicionadas em áreas mais altas e distanciadas dos cursos d’água. Esse último tipo abrange as árvores mais altas e com raízes mais profundas do que as demais.

DOMÍNIO DO CERRADO – CHAPADÕES TROPICAIS INTERIORES COM CERRADOS E FLORESTAS-GALERIAS

A nomenclatura acima indica a composição desse domínio, que abrange o bioma Cerrado, classificado como um tipo específico dentre as formações savânicas. Ocupa uma área de 2 milhões de km² e é um dos ambientes mais ameaçados pelo avanço das atividades econômicas em seu espaço natural. O relevo é predominantemente composto por planaltos, onde existe uma grande quantidade de chapadas, como a dos Veadeiros (GO), a Diamantina (BA) e a dos Guimarães (MT).

cerrado

Esse domínio morfoclimático apresenta dois climas muito bem definidos ao longo do ano, um muito seco e frio (mas com grande amplitude térmica ao longo do dia) e outro úmido e quente. Em termos hidrográficos a região se destaca por abrigar nascentes e cursos d’água que abastecem alguns dos principais rios da América do Sul, envolvendo a bacia Tocantins-Araguaia e partes da Bacia do São Francisco e do Paraná.

Embora os solos do cerrado sejam de composição ácida, com destaque para os latossolos (que são ricos em ferro e alumínio), a região vem sendo, desde a década de 1970, bastante ocupada pela agricultura, sobretudo após o desenvolvimento da calagem, técnica que corrige a acidez através da adição de calcário ao solo. Atualmente, restam apenas 20%, aproximadamente, da área original ocupada pela vegetação nativa do cerrado.

MARES DE MORRO – ÁREAS MAMELONARES TROPICAIS ATL NTICAS

O domínio dos mares de morro – também conhecido como Mata Atlântica – se localiza em uma vasta extensão latitudinal ao longo do espaço litorâneo brasileiro, totalizando cerca de 650 mil km², que vão desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. A floresta da Mata Atlântica é o mais devastado dentre os biomas do país, tendo sido ocupado desde os tempos coloniais.

Mares de Morro

Assim como ocorre no domínio amazônico, os mares de morro apresentam uma baixa amplitude térmica em razão da grande presença de umidade, principalmente em sua região mais ao sul, com presença dos climas tropical úmido, tropical de altitude e subtropical úmido. Tal configuração climática e os constantes regimes de chuva, propiciaram a formação de solos profundos em razão da ação do intemperismo químico, muitos deles bastante produtivos, o que facilitou a ocupação territorial e o consequente desmatamento.

A origem do nome “mares de morro” se deve à suas feições geomorfológicas, com formas de relevo em aparência convexa, no estilo chamado de “mamelonar”, como se fossem pequenos morros no formato de meias laranjas. As formas de relevo predominantes são os planaltos, além de algumas depressões litorâneas.

CAATINGA – DEPRESSÕES INTERMONTANAS E INTERPLANÁLTICAS SEMIÁRIDAS

Esse domínio envolve a região ocupada pelo bioma Caatinga, que é a única composição vegetal exclusivamente brasileira, ocupando uma área de 850 mil km². É uma região denominada por “Polígono das Secas” em razão do clima rigoroso semiárido. Nesse ambiente, as temperaturas apresentam médias que alcançam os 29ºC anuais, com um regime de chuvas baixo, irregular e mal distribuído ao longo do ano.

caatinga

Em razão do grande rigor climático, a vegetação predominante é do tipo xerófila, aquelas que se adaptam ao clima seco através da retenção de água, com raízes largas, talos grossos e folhas que, muitas vezes, se resumem a espinhos. Em períodos chuvosos, essa vegetação ganha uma aparência mais volumosa e transforma a paisagem do sertão.

O relevo da região é marcado pela grande presença de depressões relativas, cercadas por áreas de planaltos, o que ajuda a explica a aridez em razão da barragem da umidade do ar pelas formas de relevo. Nesses ambientes, o intemperismo físico se sobrepõe ao químico, o que faz com que eles sejam bastante rasos e pedregosos. A agricultura é mais comum nos chamados brejos, que se concentram nas encostas de serras e chapadas, onde as chuvas são um pouco mais comuns.

ARAUCÁRIAS – PLANALTOS SUBTROPICAIS COM ARAUCÁRIAS

Esse domínio, como a nomenclatura já aponta, abrange o espaço ocupado pelas Matas de Araucárias, ocupando boa parte da região Sul em uma área de 400 mil km² de extensão. O clima local é do tipo subtropical úmido, o que é diretamente causado pela posição geográfica ao sul do Trópico de Capricórnio, com médias pluviométricas anuais que vão dos 1400mm aos 2000mm.

araucaria

As altitudes da região variam entre 800 e 1300 em uma área de planaltos, com a presença de solos profundos e muito férteis, dos quais se destaca a “terra roxa” originada a partir da meteorização de rochas basálticas produzidas em processos vulcânicos hoje extintos. Essa mesma área abrange a maior parte da Bacia do Paraná e também a Bacia do Uruguai.

PRADARIAS – COXILHAS SUBTROPICAIS COM PRADARIAS MISTAS

O domínio morfoclimáticos das Pradarias – conhecido como pampa gaúcho – situa-se no extremo sul do Brasil como um prolongamento dos campos e pradarias situados na Argentina e no Uruguai. A vegetação desses ambientes é predominantemente composta por herbáceas, que são plantas com caules não lenhosos ou flexíveis, nunca maiores do que dois metros.

pradaria

Os solos são geologicamente jovens e bastante ocupados pela agricultura. Em algumas áreas, a composição arenosa faz com que a remoção da vegetação e o uso intensivo da superfície acarrete em um processo chamado de arenização, com a consequente formação dos areais, totalmente improdutivos. O clima predominante é o subtropical, com médias térmicas de, aproximadamente, 16ºC, com eventuais períodos de estiagem prolongada.

Por Rodolfo F. Alves Pena
Mestre em Geografia

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.